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TRADIÇÕES |
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BATIK
EM TRÊS IDIOMAS |
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INDONÉSIA, JAPÃO E
ÁFRICA REINTERPRETAM COM SOTAQUE PRÓPRIO O PROCESSO DE ESTAMPARIA QUE
SE VALE DA SOBREPOSIÇÃO CROMÁTICA.
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Siga a trilha das
cores e você verá que cada cena resulta de um delicado exercício de
habilidade e paciência, em que se alternam cera especial e sucessivos
banhos de corantes. |
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O próprio sufixo
"tik", significando em javanês, "Ponto de luz na
escuridão ", traduz a essência da técnica. |
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Na verdade, a palavra
que dá nome ao artesanato "mbatik" quer dizer desenhar,
escrever, pontear a mão. A primeira etapa é imprimir no tecido os
traços desejados. |
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Para isso usa-se um instrumento especial chamado
tjanting, um tipo de caneta cilíndrica que acaba num funil com bico de
várias espessuras por onde escorre a cera. |
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Essa funciona como isolante,
impedindo a penetração da tinta nas partes do tecido cujo tom anterior
se deseja preservar. |
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A fase seguinte é o tingimento propriamente dito,
sempre partindo das tonalidades mais claras. Assim, cada cor recebe
influência da anterior e, por sua vez,altera a seguinte. |
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Cercam-se de
controvérsias as versões explicando a origem do batik. Uma delas
aponta o Egito ou a Pérsia como civilizações em que nasceu o
artesanato. |
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Outros estudos localizam seu surgimento na Melanésia, um
dos três grandes agrupamentos das ilhas do Pacífico. Ali, os artesãos
fizeram experiências de tingimento sobre papel, usando corantes
naturais e cera para vedar a penetração das tintas. A terceira teoria
sustenta que as primeiras tintas foram feitas na Índia. Fechando o
leque de hipóteses, descobertas arqueológicas indicam que o batik
também foi praticado na África. |
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Parece haver um consenso, no entanto,
quanto à época de sua descoberta, ocorrida nos primeiros séculos da
era cristã. Também não restam dúvidas de que foi em Java, a
principal das mil ilhas da Indonésia dispersas no Pacífico Sul, entre
China, Nova Zelândia e Austrália, que a estamparia floresceu e
ganhou maior expressividade artísticas |
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Os tecidos eram fiados
artesanalmente, em teares rudimentares. E os corantes, extraídos de
vegetais variados. Cada artesão confeccionava seu próprio Tjanting com
placas de metal dobradas e presas a um cabo de madeira ou bambu.
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O
diâmetro do bico, determinante da espessura dos traços, também era decisivo na cotação dos trabalhos: quanto mais finas as linhas e os
desenhos, maior valor alcançavam. |
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Houve um tempo em que só as mulheres
da aristocracia javanesa conheciam os segredos da técnica. E era com
capricho que desenhavam e tingiam elas próprias a suas vestes. |
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Posteriormente, o
processo se popularizou, tornando-se acessível também às camadas
sociais mais pobres. No século XV, Portugueses e Espanhóis levaram o
batik para o continente Europeu. |
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O
diâmetro do bico, determinante da espessura dos traços, também era decisivo na cotação dos trabalhos: quanto mais finas as linhas e os
desenhos, maior valor alcançavam. |
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Ali, a técnica se sofisticou,
inspirando, com seus desenhos e padronagens, desde o vestuário até as
artes plásticas. Na Holanda, a técnicas atingiu maior desenvolvimento, dando origem, em 1835, às primeiras escolas
especializadas. |
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VARIAÇÕES
ILIMITADAS. |
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No final do século
XlX, artistas Holandeses passaram a aplicar a técnica também em
madeira, ouro, metal e marfim. No início deste século, surgiu outro
instrumento para a aplicação do batik - o "tjap" espécie de
máscara com elementos vazados que substituiu o tjanting na impressão
do desenho sem, contudo, desbancar o instrumento original. |
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Antes da
Segunda Guerra, as mulheres francesas desfilavam blusas, coletes e echarpes. |
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A partir dos anos 60, o artesanato se disseminou também na
América do Sul, difundido por artistas Javaneses modernos.
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A técnica
básica do batik Javanês apresenta diversificações. Quando a cera é
aplicada predominantemente com tjanting para o desenho de texturas e
detalhes, o processo recebe o nome de batk tulis que, numa tradução
literal, significa "batik escrito". |
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Há ainda, a adaptação
Japonesa, conhecida como rooketsu-zome, em que as tintas são aplicadas
com pincel e não por imersão. |
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O batik Africano recorre a amarrações
do tecido envolvendo pedras, grãos, sementes e pequenos objetos - bolas
de gude, botões, pérolas, contas, tampas plásticas , rolhas e até
restos de fios e linhas - para deixar marcas com diferentes formatos
após os banhos de cor em grandes caldeirões. |
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Como se vê são
praticamente ilimitadas as possibilidades de criação através do batik,
que expressa com arte as vivências de povos de diferentes culturas. |
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Reportagem: Thaís
Cavalheiro |
Fotos: Alfredo Franco. |
Produção: Márcia
Asnis |
Coordenação: Luiz
Claudio Carvalho.
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